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Eletrônica Básica
Aula16: Transistor Efeito de Campo - Princípios de Funcionamento
Bibliografia: Microeletrônica - Vol.1 Sedra e Smith e Eletrônica Vol 1 - Malvino    

 

Transistores Efeito de Campo

 

O principio de funcionamento de um transistor efeito de campo está baseado na modulação da largura de um canal, portanto sua capacidade de corrente, por uma tensão aplicada. Desta forma transistores efeito de campo são dispositivos  controlados por tensão ao contrario do transistor tradicional (transistor bipolar ou BJT – Bipolar Junction Transistor) que são controlados por corrente.

Existem basicamente dois tipos de transistor efeito de campo: MOSFET (Metal-Oxide-Semicondutor FET) também chamados de IGMOS (Insulated Gate MOS – Transistor MOS   e o JFET (Junction FET) sendo que os primeiros são mais usados, principalmente em circuitos integrados e ultimamente como dispositivos de potencia. Cada tipo pode ser encontrado com duas polaridades: canal N e canal P. Existem muitas diferenças entre os transistores efeito de campo e o tradicional,  sendo que as três  principais são:

 

 

  Transistor Efeito de Campo de Junção

 

A figura 1a mostra, de forma simplificada, a estrutura física de um transistor efeito de campo de junção canal N,  a figura 1b a simbologia para canal N  e a figura 1c para  canal P. O dispositivo tem três terminais: O dreno (D) a fonte (S – Source em inglês ) e a porta (G – Gate em inglês). A dopagem da região da porta é muito maior do que a do canal, desta forma a região de depleção (região de carga espacial) será muito maior do lado do canal.

  ( a )      ( b )  ( c )
  Figura 1: ( a ) Estrutura física JFET canal N ( b ) simbologia JFET canal N ( c ) simbologia JFET canal P

 

                                                                    
 

Observar na simbologia que a seta no meio, ou mesmo a estrutura, pode sugerir que possamos trocar o dreno pela fonte, o que é verdade em alguns dispositivos, mas não em todos, por isso mesmo a simbologia onde a seta está mais próxima da fonte. Na literatura sobre o tema é possível encontrar as duas. O sentido da  seta mostra  o sentido de condução como em um diodo comum da junção gate (P)-canal (N).

Para explicar o funcionamento consideraremos o JFET canal N, para o outro se invertem os sentidos da corrente e das tensões.

Consideremos inicialmente VDS=0 e apliquemos uma tensão VGS com a polaridade indicada na figura  2a e que polariza reversamente a junção PN. Inicialmente o canal estará todo aberto e entre e dreno e fonte existira um canal com uma determinada resistência. Como a tensão aplicada na resistência é zero a corrente resultante será zero (ID=0). Se a tensão de porta for aumentada, aumenta a polarização reversa o que faz a região de carga espacial avançar mais no canal até fechá-lo totalmente, figura 2b. Observe que a região de depleção avança mais no canal do que no lado da porta, isso porque a dopagem da porta é maior.

( a )

( b )

Figura 2: ( a ) polarizando a porta com tensão negativa ( b ) fechando totalmente o canal

 

 

A tensão de porta que provoca o fechamento total do canal é chamada de tensão de pinçamento (pinch-off em inglês), VP, sendo uma quantidade negativa no caso de canal N e positiva para o canal P.

 

Agora consideremos VGS=0 e apliquemos uma tensão entre dreno e fonte com a polaridade indicada na figura 8.3. O que acontece com a corrente quando VDS varia?

Inicialmente com o VDS pequeno o canal praticamente não se altera e dentro de certos limites o dispositivo se comporta como uma resistência. À medida que VDS aumenta, a corrente de dreno aumenta provocando uma queda de tensão ao longo do canal  que faz com que o estreitamento não seja uniforme.

 

Na figura 3b a corrente de dreno provoca entre o ponto A e a fonte uma tensão VA e entre o ponto B e a fonte uma tensão VB estando claro que VA>VB. Estas tensões são aplicadas na junção  de forma reversa e no ponto onde a tensão reversa é maior a região de carga espacial avança mais no canal,isto é, o estreitamento é maior próximo do dreno.

 

( a ) ( b )
Figura  3: ( a ) Polarizando o dreno com uma tensão  pequena (0,1V)( b ) o pinçamento é atingido (VP)

 

O estreitamento é maximo quando a tensão de dreno for igual à tensão de pinçamento em modulo.Se a tensão de dreno aumentar mais ainda,  as regiões de carga espacial não se tocam, ao invés disso o estreitamento aumenta ao longo do canal conforme figura  4 e a corrente de dreno se mantem aproximadamente constante em IDSS, isto é, o dispositivo passa a se comportar como uma fonte de corrente constante. Na pratica existe um pequeno aumento em ID quando VDS aumenta alem de VP.

Figura 4:  Aspecto do canal quando a tensão de dreno aumenta alem de VP

Se a tensão de dreno aumentar mais ainda, eventualmente será atingida uma tensão que provocará a ruptura da junção, destruindo o dispositivo. Esta tensão é designada por BVDSS

 

Veja este vídeo sobre  JFET  (em inglês):   http://www.allaboutcircuits.com/videos/66.html

 

 

Curvas Características de Dreno

 

Se a tensão de porta for fixada, digamos em VGS=0V, e a tensão de dreno for variada, o gráfico da corrente de dreno em função da tensão de dreno é obtido, IDxVDS, tendo VGS como parâmetro. A Figura 5a mostra o circuito para obter as curvas características de dreno.

O gráfico da  figura 5b mostra a curva de dreno do JFET quando VGS=0 e a tensão de dreno varia, para um JFET (2N4393) canal N com VP=-2,81V.

Inicialmente com VDS=0 a corrente de dreno ID também é zero. Com VDS aumentando e inicialmente bem menor do que VP o comportamento é de uma resistência, isto é, se a tensão de dreno dobrar de valor a corrente de dreno também dobra de valor. Dizemos que a região de operação é chamada  de região ôhmica (o JFET se comporta como uma resistência controlada por VGS).

À medida que a tensão de dreno se aproxima da tensão de pinçamento (VP) e o canal se aproxima do estreitamento máximo, a curva começa a se inclinar (resistência do dreno aumenta). A corrente de dreno para VDS=VP é denominada de IDSS, corrente na saturação. Se a tensão de dreno aumentar alem desse valor a variação da corrente de dreno fica constante em  IDSS. Por exemplo  para o transistor 2N4393 IDSS=30mA.

 Dizemos que o dispositivo entrou na região de saturação, região de amplificação ou patamar. Se a tensão de dreno aumentar mais ainda, eventualmente será atingida uma tensão, BVDSS para a qual a junção PN sofrerá ruptura.

 

( a )

( b )

Figura 5: Curva característica de dreno para VGS=0V para JFET com VP=-2V  

 

Se agora for aplicada uma tensão, de porta de digamos VGS=-1V, e  o procedimento é repetido, isto é,  a  tensão de dreno é  variada a partir de zero,  será obtida uma curva semelhante à da Figura 5b porem  com um valor de corrente na saturação menor que  IDSS. O valor de VDS que provocará o pinçamento será menor, neste caso aproximadamente 1,8V. De uma forma geral o valor de VDS que provoca o pinçamento é dado por:

O conjunto de curvas para os diferentes  valores de VGS é chamado de curvas características de dreno, Figura 6.

 

 

 

Figura 6: Curva característica de dreno para diversos valores de VGS   
obtendo as curvas de dreno  (getting drain curves)

 

Curva Característica de Transferência

 

As curvas características de transferência relacionam a saída, corrente de dreno (ID), com a entrada, tensão de porta (VGS). Essas curvas são obtidas para um valor de VDS, por exemplo VDS=5V, Figura 7a. O gráfico de IDxVGS  é chamado de curva característica de transferência, pois transfere os valores de entrada para a saída, Figura 7b.

 


( a )

( b )
Figura 7: ( a ) curva característica de dreno ( b ) curva característica de transferência 

 Obtendo a curva de transferência

A equação que relaciona corrente de dreno com tensão de porta é dada aproximadamente por:

 

 

 

  

 onde IDSS é a corrente de dreno na saturação para VGS=0 e VP a tensão de pinçamento.

 

Exemplo: Se VGS=-1V qual a corrente de dreno considerando o transistor 2N4393?

 

Como Vp=-2,81V   e  IDSS=36mA  então:

 

Valor que pode ser  obtido diretamente da curva da Figura 7

 

 

Parâmetros do JFET

Todo semicondutor é caracterizado por parâmetros os quais determinarão limites de operação e valores de ganho, esses parâmetros  também são usados para modelar o componente. 

Transcondutância

 

Esse é um importante parâmetro de um FET, sendo definido por:

com VDS=constante                                                    

Derivando ID em relação a VGS na expressão:

obtem-se a expressão da transcondurancia (gm) em função de ID e VGS.

 

 

Esse parâmetro é numericamente igual à inclinação (derivada) em um determinado ponto da curva de transferência.  A figura  8 mostra o significado da transcondutância.

[]
Figura 8: Obtendo a transcondutância a partir da curva característica de transferência
Obtendo a transcondutância a partir da curva de transferencia

 

 

Exemplo: Qual o valor da transcondutância em  VGSQ=-1V ?

 

 

O valor da transcondutância também pode ser obtido diretamente da curva de transferência se o ponto Q é conhecido.

 Se o ponto Q é VGSQ=-1V  a ao redor do ponto Q resulta em uma variação  portanto o valor estimado da transcondutância será:

 

 

Resistência de Saída

 

A resistência   de saída é definida como sendo:

com VGS=constante                                           

 

que representa fisicamente a inclinação da curva na região de saturação, Figura 9.  Idealmente o valor de rO deveria ser infinito, isto é, na região de saturação para uma variação de tensão de dreno a variação da corrente de dreno seria zero e portanto na saturação as curvas seriam paralelas ao eixo horizontal. Na pratica existe uma pequena inclinação indicando que a corrente tem um pequeno acréscimo de valor quando a tensão de dreno aumenta.


Figura 9: Obtendo a resistência de saída a partir da curva característica de dreno
 

 

Experiência 22: Curvas Características - Dreno  (IDxVDS) e Transferência  (IDxVGS)

 

1) Abra o arquivo EXP22.CIR e identifique o circuito da Figura 10. Execute uma analise Dynamic DC e preencha a tabela 1, levantando os gráficos de IDxVDS para dois valores de VGS (0V e 1,5V)

Figura 10: Circuito para obter IDxVDS

Tabela 1: Obtendo a Curva característica de dreno

VDS(V)  0,1         0,2    0,3    0,4    0,5    0,6    0,7     0,8     1     2     3     4     5     6     7     8     9    10
VGS=0       ID(mA)                                    
VGS=1,5V  ID(mA)                                     

 

 

2) Use uma planilha (Excel por exemplo) para obter os dois gráficos. No arquivo EXP22 execute uma analise DC e obtenha as curvas de dreno,  compare com as curvas  obtidas no Excel.

 

3) Abra o arquivo EXP23.CIR e identifique o circuito da Figura 10. Execute uma analise Dynamic DC e para VDS=6V preencha a tabela 2.

                                                

                                                                                Tabela 2: Curva característica de transferência

VDS=6V VGS(V)  0,1         0,2    0,3    0,4    0,5    0,6    0,7     0,8     1     2     3     4     5     6     7     8     9    10
ID(mA)                                    

 

4) Use uma planilha (Excel por exemplo) para obter o gráfico de IDxVGS  a partir dos dados da tabela 2. No arquivo EXP23 execute uma analise DC e obtenha a curva de transferência, compare com as curvas obtidas com o Excel.

5) Escreva as suas conclusões baseado nas medidas e observações.

 

 

 

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