TECNOLOGIA TTL
Os circuitos integrados da família TTL são encontrados em duas series denominadas 74 (para uso comercial) e 54 (para uso militar).
Originalmente, os circuitos integrados foram destinados para uso militar onde tamanho, consumo e potencia e confiabilidade era preponderante.
Porém em 1964, surgiu a versão comercial de custo inferior. Respeitando-se algumas especificações, os dispositivos da série 54 são compatíveis com os da série 74.
A tecnologia TTL se apresenta em duas séries:
74XX – série comercial
54XX – série militar
Características:
Série 74XX Série 54XX
Temperatura: 0 a 70ºC Temperatura: -55 a 125ºC
Alimentação: 4,75 a 5,25V Alimentação: 4,5 a 5,5V
Até 1964, os dispositivos semicondutores eram encapsulados individualmente. Assim sendo, a montagem de portas lógicas e sistemas digitais era feita através de componentes discretos (resistores, diodos, transistores etc..).
O primeiro passo no desenvolvimento dos circuitos integrados foi a fabricação de uma porta lógica em uma única pastilha de silício e seu encapsulamento num embalagem própria. Verificou-se, então, que muitas portas lógicas poderiam ser fabricadas em uma única pastilha e encapsuladas em um único invólucro.
Assim sendo, em um circuito integrado, são encontrados muitos transistores, diodos e resistores sobre a mesma pastilha de silício, formando portas lógicas ou circuitos lógicos mais complexos, objetivando um menor custo, menor tamanho e maior confiabilidade.
O processo de integração pode ser classificado como:
É feita no sentido anti-horário em relação a marca de referencia existente no CI.
Alguns integrados possuem terminais NC (No Internal Connection)
Desde a introdução da primeira família (Standart) de circuitos integrados lógicos TTL, surgiram novas técnicas de projetos, bem como novos processos e tecnologias de fabricação de circuitos. Isto permitiu o surgimento de novas famílias que apresentam vantagens e desvantagens entre si.
Os principais tipos de famílias existentes no mercado e suas respectivas identificações estão mostrados na tabela abaixo:
|
FAMÍLIA |
IDENTIFICAÇÃO |
|
Standart |
54/74 |
|
Low Power |
54L / 74L |
|
High Speed |
54H / 74H |
|
Schottky |
54S / 74S |
|
Low Power Schottky |
54LS / 74LS |
|
Advanced Schottky |
54AS / 74AS |
|
Advanced Low Power Schottky |
54ALS / 74ALS |
Num CI o tempo de atraso de propagação é o tempo necessário para que uma mudança nas entradas de um circuito lógico altere as suas saídas.
Quanto menos tempo de atraso de propagação, maior é velocidade de operação de um circuito lógico.
Esta comparação pode ser resumida na tabela abaixo:
|
Família |
Atraso de Propagação |
Consumo de Potencia |
Atraso X Consumo
|
Freqüência Máxima de Operação |
|
|
ns |
mW |
- |
MHz |
|
Standart |
10 |
10 |
100 |
35 |
|
L |
33 |
1 |
33 |
3 |
|
H |
6 |
22 |
132 |
50 |
|
S |
3 |
20 |
60 |
125 |
|
LS |
10 |
2 |
20 |
45 |
|
AS |
1,5 |
7 |
10,5 |
200 |
|
ALS |
4 |
1 |
4 |
70 |
Uma característica dos circuitos integrados TTL é entender como nível lógico alto as entradas em aberto.
Embora o funcionamento do circuito integrado seja semelhante quando se tem um nível lógico alto aplicado as suas entradas, ou quando estas estão em aberto, esta última condição não deve ser considerada em projetos, pois um terminal em aberto aumenta a possibilidade de inteferencia de ruídos externos.
Além disso, quando as entradas dos dispositivos lógicos mudam de estado lentamente, vários problemas podem ser encontrados e, por isso, foram desenvolvidas outras tecnologias para os circuitos de entrada.
6.1) TIPOS DE ENTRADAS
Simbologia de um CI Schimitt Trigger:
6.2) TIPOS DE SAÍDAS:
SAÍDA TOTEM POLEM:
Esta configuração de saída possui normalmente em sua estrutura interna, um transistor conectado ao +Vcc, permitindo alimentação de cargas altamente capacitivas.
SAÍDA OPEN COLLECTOR (COLETOR ABERTO):
Configuração de saída que não possui internamente um resistor ligando o coletor de saída ao +Vcc. Este resistor, chamado de PULL UP (Rp) deve ser conectado externamente para que o dispositivo funcione corretamente.
SAIDA TRI-STATE (TRES ESTADOS):
Configuração de saída que pode fazer com que ele apresente uma alta impedância (terceiro estado) em relação à linha na qual esta conectada. Neste caso, é como se o dispositivo estivesse desligado da linha.
Isto permite conectar várias saídas em uma mesma linha de dados, possibilitando que apenas uma forneça nível lógico alto ou baixo, sem danificar os outros dispositivos.
Este tipo de saída é fundamental, pois permite interligar numa única via de dados, diversos circuitos integrados, facilitando o projeto de sistemas digitais mais complexos.
Os estados que esta configuração apresenta são:
Para o desenvolvimento de projetos de sistemas digitais, vários fatores devem ser considerados na escolha da família e da tecnologia de fabricação de circuitos integrados a serem utilizados.
Velocidade (tempo de atraso de propagação);
Consumo de potencia;
Freqüência de operação;
fan-in e fan-out;
Parâmetros de tensão e corrente de entrada e saída e
tipos de circuitos de entrada e saída.
A eficiência dos projetos que envolvem circuitos integrados digitais é medida considerando-se principalmente a relação entre:
Velocidade;
Consumo de potencia e,
Freqüência de operação
Quanto maior a velocidade (menor tempo de atraso de propagação) e menor o consumo (dissipação de potencia), mais eficiente é o sistema. A freqüência máxima de operação, embora relacionada à velocidade, um fator importante, principalmente nos sistemas digitais que processam informações sincronizadas com pulsos de clock.
A tabela abaixo, mostra, para efeito de comparação, valores típicos de tempo de atraso de propagação, consumo de potencia e freqüência máxima de operação para os circuitos integrados de diversas famílias.
A coluna atraso x consumo serve como referencia para mostras a eficiência das diversas famílias de circuitos integrados.
Desta forma, considerando-se apenas estes aspectos, pode-se observar que família ALS é mais eficiente (atraso x consumo = 4) enquanto que a família H é a menos eficiente (Atraso x consumo = 132).
As famílias de circuitos integrados TTL, são compatíveis entre si. Entretando, para evitar falhas operacionais, é necessária a verificação de algumas especificações como:
Compatibilidade entre as famílias TTL, pode ser resumida no quadro abaixo:
|
Familia |
Input Loading |
Output Loading |
|
Standart |
IiL = -1,6ma IiH = 40µA |
IoL = 16 mA IoH = - 400µA |
|
L |
IiL = -180µA IiH = 10µA |
IoL = 3,6 mA IoH = - 200µA |
|
H |
IiL = -2 mA IiH = 50µA |
IoL = 20 mA IoH = - 500 µA |
|
S |
IiL = -2 mA IiH = 50µA |
IoL = 20 mA IoH = - 1 mA |
|
LS |
IiL = -400µA IiH = 20µA |
IoL = 8 mA IoH = - 400µA |
|
AS |
IiL = -500µA IiH = 20µA |
IoL = 20 mA IoH = - 2 mA |
|
ALS |
IiL = -100µA IiH = 20µA |
IoL = 8 mA IoH = - 400µA |
NOTAS:
IiL – corrente de entrada (input) quando o nível lógico for baixo.
IiH – corrente de entrada (input) quando o nível lógico for alto.
IoL – corrente de saída (output) quando o nível lógico for baixo.
IoH – corrente de saída (output) quando o nível lógico for alto.
O fan-in é uma especificação que deve ser levada em considerada principalmente quando se fizer conexão de várias saídas OPEN COLLECTOR a uma única entrada.
Como o fan-out é um número definido para portas lógicas de mesma família, a quantidade de portas lógicas que pode ser ligada numa saída é diferente quando existe a mistura de famílias, sendo, por isso, necessário o conhecimento dos parâmetros de corrente de entrada e de saída das portas lógicas.
A corrente positiva de entrada de um dispositivo quando uma tensão em nível alto igual a tensão mínima de saída em nível alto especificada para a família, é aplicada a esta entrada.
Existem diversos fabricantes de circuitos integrados. A identificação do fabricante é possível através do seu prefixo, como mostra a tabela abaixo:
|
PREFIXO |
FABRICANTE |
|
SN |
TEXAS |
|
DM |
NATIONAL |
|
F |
FAIRCHILD |
|
MC |
MOTOROLA |
|
JF |
PHILIPS |
|
N |
SIGNETICS |
|
FL |
SIEMENS |
|
HD |
HITACHI |
|
MB |
FUJITSU |
|
M |
MITSUBISHI |
|
µP |
NEC |
|
TD |
TOSHIBA |
Cada circuito integrado recebe um código de identificação através do qual é possível conhecer, além do fabricante, várias características técnicas como:
Série;
Tipo de família;
Função lógica;
Tipo de encapsulamento;
A tabela abaixo, mostra vários códigos de identificação de circuitos integrados e seus respectivos fabricantes.
|
Código do Fabricante |
Fabricante |
|
SN 74 LS 195 A J |
TEXAS |
|
DM 74 L 165 A N |
NATIONAL |
|
F 9300 D C |
FAIRCHILD |
|
MC 74 91 A P |
MOTOROLA |
|
FJ H 13 1 |
PHILIPS |
|
N 74 S 00 F |
SIGNETICS |
|
FL H 29 I U |
SIEMENS |
|
HD 25 48 P |
HITACHI |
|
MB 400 M |
FUJITSU |
|
M 5 32 90 P |
MITSUBISHI |
|
µP B 2000 D |
NEC |
|
TD 34 00 A P |
TOSHIBA |
Os significado dos códigos de todos os componentes dos diversos códigos de identificação dos circuitos integrados são encontrados nos manuais de seus respectivos fabricantes.
Apenas para efeito de exemplificação, abaixo estão apresentados dois códigos de identificação com o significado de todos o seus componentes.
|
Código SN 74 |
LS |
08 |
A |
N |
3 |
|
Significado 1 2 |
3 |
4 |
5 |
6 |
7 |
|
1 – Prefixo do Fabricante |
Texas |
|
2 – Série |
Comercial |
|
3 – Família |
Low Power Schottky |
|
4 – Função Lógica |
Quad 2 – Input AND Gates |
|
5 – Tecnologia |
Série Melhorada |
|
6 – Encapsulamento |
Em linha dupla – plástico |
|
7 – Instruções |
Processamento PEP nível 3 |
A maioria do manuais de circuitos integrados digitais utiliza a simbologia de acordo com norma técnica ANSI. Entretanto, existem outras normas para a apresentação dos dispositivos digitais utilizadas em projetos de empresas brasileiras (ABNT) e européias (IEEE).
O nome de uma norma técnica refere-se a sigla do órgão que a criou e possui vários códigos que diferenciam as diversas áreas de aplicação.
A tabela abaixo, apresenta quatro destas normas e seus respectivos órgãos, bem como, as principais características relativas à simbologia adotada na área de eletrônica digital.
|
Norma |
Órgão |
Características |
|
ANSI |
American National Standards Institute |
Indica apenas a função lógica do dispositivo. |
|
IEEE |
Institute of Electrical and Electronic Engineers |
Indica a função lógica e faz referencias a outras funções e características do dispositivo. |
|
IEC |
International Electrotechinical Commission |
Segue o mesmo principio da norma IEEE. (IEC-617-12) |
|
ABNT |
Associação Brasileira de Normas Técnicas. |
Segue o mesmo princípio da norma IEC. (NBR – 08767 – Símbolos Gráficos para Diagramas Lógicos) |
Apesar da ABNT , tanto no Brasil como na maioria dos países do mundo, a norma mais utilizada é a ANSI, tanto por questões culturais (padrão americano) e comerciais como, também, devido a sua grande simplicidade.