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Amplificador Operacional  
Aula15:Amplificador Diferencial com Transistores

1. Introdução

     O amplificador diferencial (AD) é importante no estudo dos amplificadores operacionais (AO) pois ele é o primeiro estágio de um AO, estabelecendo algumas de suas principais características.

    Por definição um AD é um circuito que tem duas entradas nas quais são aplicadas duas tensões  v1 e v2 e uma saída vS. Se considerarmos a condição ideal se v1 = v2 a saída será nula, isto é, um AD é um circuito que amplifica só a diferença entre duas tensões rejeitando os sinais de entrada  quando estes forem iguais.

Amplificador diferencial Bloco   

Figura 01: Amplificador diferencial ideal              

No caso ideal        vs=Ad.vd=Ad.(v1 - v2)               onde  

Ad=Ganho diferencial de tensão

vd=v1 - v2 = sinal diferença  ou sinal erro 

Se v1=v2 então  vd=0 e portanto  vs=0

Na pratica  existirá sempre uma pequena tensão na saída quando v1 = v2 (situação esta chamada de modo comum). No caso de um AD real a expressão da tensão de saída em função da entradas é dada por :  

vs=Ad.vd + Ac.vc   

 onde                                                                                             

  vc = (v1 + v2)/2 = sinal em modo comum   e Ac=Ganho em modo comum.

Está claro pelo exposto que no caso de um AD ideal o valor de Ac=0.

Os valores de Ad e Ac dependem dos componentes usados na construção do AD, como veremos a seguir.

No circuito da Figura 2  vamos admitir que os transistores são iguais e que a fonte de corrente é ideal (Ie1+Ie2=IO=constante).

                                                                              AD com transistor                                               

Figura 02: Amplificador diferencial discreto

    Consideremos a tensão na entrada 2 constante (v2 = E) e a tensão na entrada 1  como sendo igual a  v1=VM1.sen(wt ) + E, isto é, uma tensão alternada senoidal com um nível médio E. A Figura 3  mostra as principais formas de onda do circuito considerando essas entradas.

    Quando v1 = v2 = E, os dois transistores conduzirão a mesma  corrente (IE1 = IE2 = IO/2), pois admitimos inicialmente transistores idêntico, nessas condições  a tensão do coletor para o terra  de cada transistor será igual a    VS1 = VS2 = VCC - RC.IO/2 e portanto a tensão entre os coletores valerá:   

Vs=Vs1 -; Vs2=0.

  Quando Vs1 > Vs2 o transistor Q1 conduzirá  mais que Q2 e portanto IC1 aumentará, diminuindo VS1 (não esqueça  VS1=VCC - RC.IC1  ! !) e por força da fonte de corrente,  IC2 diminuirá (não esqueça que  IO=IE1 + IE2=constante, se IE1 aumentar IE2 deve diminuir), aumentando Vs2.

    Da Figura 2  e considerando que os transistores são idênticos e que a fonte de corrente é ideal podemos concluir que :

O ganho diferencial de tensão, considerando a saída nos coletores, é  igual a :
 
Ad =Vs1pp/VM1 = VS2pp/VM1  (VS1pp=VS2pp)  

VS1= saída
       VM1 = valor de pico da entrada  1

    Se a saída for entre os coletores o ganho será duas vezes maior. A figura a seguir mostra as principais formas de onda. DE cima para baixo: Entrada (100mVpp), coletor de Q1(vc1), coletor de Q2 (vc2) e a diferença (vc1-vc2)                                                           

formas de onda AD

Figura 03: Formas de onda -  Amplificador diferencial discreto.

    Dos gráficos da  Figura 3  também concluímos que o sinal na saída 1, vc1, está defasado de 180º em relação à entrada1, v1, e o sinal na saída 2, vc2, está em fase com a entrada 1. Por isso mesmo é que, se considerarmos a saída no coletor de Q2 a entrada 1 será chamada de não-inversora (+) e a entrada 2 chamada inversora (-).

2. Amplificador Diferencial  com Fonte de Corrente Simples           

Na pratica os transistores nunca serão iguais e a fonte de corrente não será ideal. A Figura 4   mostra o circuito de um AD pratico. Neste circuito a fonte -VCC junto com RE simulam a fonte de corrente.

AD

Figura 04: Amplificador diferencial real

O valor da fonte de corrente é calculado fazendo-se v1 = v2 = 0 (condições quiescentes), resultando:           

I
O = (VCC - 0,7)/RE@VCC/RE

Para esse circuito o ganho diferencial, considerando a saída nos coletores, será calculado por:

            Ad = VS1/(v1 - v2) =VS2/(v1 - v2) @RC/2.re              
onde        re= resistência incremental da junção base emissor podendo o seu valor ser estimado por :                            
 re=25mV/IE  a 25ºC   

sendo IE = a corrente quiescente de emissor.
Ou em função dos parâmetros h (híbridos) :

A
d = hfe.RC/2.hie             sendo    re=hie/hfe

O ganho em modo comum (Ac) do circuito é calculado por:

  Ac = RC/2.RE

    Como é desejável  um Ac o menor possível  estaríamos  tentado   a aumentar RE o máximo possível, mas isso provocaria uma diminuição nas correntes de polarização, diminuindo o ganho. Para manter o mesmo valor de corrente, se RE aumentar, devemos aumentar proporcionalmente VCC, o que na prática não  é possível . Uma possível solução é substituir RE por um transistor Q3  que simula uma alta resistência, sem que seja  necessário um valor alto de VCC. Desta forma se obtém um a valor de Ac muito baixo. O circuito da Figura 5 é chamado de  amplificador diferencial com polarização por espelho de corrente, sendo muito usado em circuitos integrados e permite obter ganhos elevados.

AD

Figura 05:  Amplificador diferencial com fonte de corrente constante com transistor     

3. Amplificador Diferencial com Realimentação


    O circuito da Figura 4 tem um ganho instável por que o valor de re não é o mesmo para um mesmo tipo de transistor e varia com a temperatura. Uma forma de contornar o problema é aplicar  realimentação negativa ao circuito como na Figura 6. Neste circuito a realimentação existente através de RE1 e RE2  diminui o ganho mas deixa-o estável, isto é, se os transistores forem trocados e/ou a temperatura variar o valor do ganho não muda (ou varia pouco).

ad com realimentação

Figura 06: Amplificador diferencial com realimentação

 

O ganho de tensão considerando a saída nos coletores é dado por :

            Ad = RC/2.(re+ RE)

Se RE>> re as variações em re provocadas pela troca de transistor ou variação na temperatura serão encobertas por RE e desta forma o ganho será estável  e será dado aproximadamente  por:

Ad = RC/2.RE ou em função dos parâmetros h

Ad = RC/2.(hie/hfe  + RE)

 

4. Experiência25 - Amplificador Diferencial - Medida das Correntes

4.1. Abra o arquivo  Exp25a.CIR ou ExpAO26 (Multisim 10.1)  identifique o circuito da figura 7.  Calcule todos os valores pedidos da Tabela I e em seguida execute uma simulação medindo   todos os valores da Tabela I.

( a )

( b )

Figura 07: Amplificador diferencial  - medindo as correntes quiescentes ( a ) Multisim ( b ) MicroCap

Tabela I: Amplificador diferencial - medida dos valores quiescentes  - transistores iguais

Valores Calculados

Valores Medidos

IC1(mA)

IC2(mA)

VCE1(V)

VCE2(V)

I0(mA)

IC1(mA)

IC2(mA)

VCE1(V)

VCE2(V)

I0(mA)

 aaaaa

aaaaa 

aaaaa 

 aaaaa

aaaaa 

aaaaa 

aaaaa 

aaaaa 

aaaaa 

aaaaa 

4.2. Abra o arquivo   Exp25b.CIR, ou ExpAO26a (Multisim 10.1) identifique o circuito da figura 8. Calcule todos os valores pedidos da Tabela II. Observe que os transistores são diferentes pois apresentam corrente de saturação diferentes ( Tr1 tem IS=1nA e TR2 tem Is=3nA). Use os mesmos dados do item 4.1 para efetuar os calculos, isto é, para calcular voce deve admitir os transistores iguais.

OBS: Antes de continuar voce deve fazer o download da biblioteca que tem a modificação acima no caso de usar o MicroCap. A biblioteca na qual foram adicionados os dois transistores é chamada de Small, e voce deve substituir o arquivo original pelo arquivo a seguir.

Clique aqui para efetuar o download da biblioteca Small, salve no endereço C:\MC8DEMO\LIBRARY substituindo a original.

( a )

( b )

Figura 08: Amplificador diferencial sem  realimentação - medida das correntes quiescentes - transistores diferentes ( a ) Multisim ( b ) MicoCap

4.3. Meça  todos os valores da Tabela II.

Tabela II: Amplificador diferencial - medida dos valores quiescentes  - transistores diferentes

Valores Calculados

Valores Medidos

IC1(mA)

IC2(mA)

VCE1(V)

VCE2(V)

I0(mA)

IC1(mA)

IC2(mA)

VCE1(V)

VCE2(V)

I0(mA)

 aaaaa

 aaaaa

 aaaaa

aaaaa 

 aaaaa

aaaaa 

aaaaa 

 aaaaa

aaaaa 

aaaaa 

4.4. Abra o arquivo Exp25c.CIR, ou ExpAO26b (Multisim 10.1) identifique o circuito da figura 9, (amplificador diferencial com realimentação) a seguir. Calcule todos os valores pedidos da Tabela III. Observe que existe uma realimentação negativa através dos resistores RE1 e RE2 que tem como  finalidade diminuir a diferença entre as correntes de coletor provocada pelo descasamento entre os transistores. Meça  todos os valores da Tabela III.

 
( a )

( b )

Figura 09: Amplificador diferencial com realimentação - medida das correntes quiescentes - transistores diferentes ( a ) MicroCap ( b ) Multisim

 

Tabela III: Amplificador diferencial com realimentação  - medida dos valores quiescentes  - transistores diferentes

Valores Calculados

Valores Medidos

IC1(mA)

IC2(mA)

VCE1(V)

VCE2(V)

I0(mA)

IC1(mA)

IC2(mA)

VCE1(V)

VCE2(V)

I0(mA)

 aaaaa

 aaaaa

aaaaa 

 aaaaa

aaaaa 

 aaaaa

 aaaaa

 aaaaa

aaaaa 

aaaaa 

   

 

4.7. Conclusões

5. Experiência26 - Amplificador Diferencial - Medida do Ganho 

5.1. Abra o arquivo ExpAO26A.CIR, ou ExpAO26c (Multisim 10.1)  identifique o circuito da figura10. Calcule o ganho diferencial considerando a saida em um dos coletores e anote o resultado na Tabela IV.

5.2. Meça  o valor de pico a pico da tensão de entrada (V1) e da tensão de pico a pico nos coletores, VC1 e VC2 anotando os valores na Tabela IV.

( a )

( b )
Figura 10: Amplificador diferencial sem  realimentação - medida do ganho - transistores iguais ( a ) Multisim ( b )MicroCap

Tabela IV : Amplificador diferencial  com transistores iguais - calculo e medida do ganho de tensão

Valores Calculados

Valores Medidos

IE(mA)

re= 25mV/IE 

Ad =RC/2.re 

Ad1=VC1/Ve

Ad1=VC1/Ve

 

 

 

 

 

5.2. Abra o arquivo ExpAO26b.CIR  ou ExpAO26d (Multisim 10.1)  e identifique o circuito da figura11. Inicie a simulação e anote as formas de onda  de entrada, e nos coletores (VC1 e VC2). Anote na tabela V os valore calculados e simulados do ganho. Observe que os transistores são diferentes. Use os valores medidos de IE1 e IE2 em 4.4 para  calcular  o ganho em cada coletor. 

( a )
( b )
Figura 11: Amplificador diferencial sem  realimentação - medida do ganho - transistores diferentes  ( a ) Multisim ( b ) MicroCap

 

Tabela V: Amplificador diferencial  com transistores diferentes - calculo e medida do ganho de tensão  

Valores Calculados (Usar dados de 4.4)

Valores Medidos

IE1

IE2

re = 25mV/IE 

Ad  =RC/2.re        

Ad  =RC/2.re     

Ad(Coletor1)

Ad(Coletor2)

 

 

 

 

 

 

 

5.3. Abra o arquivo ExpAO26c  ou ExpAO26e (Multisim 10.1) e identifique o circuito da figura12.  Inicie a simulação e anote as formas de onda  de entrada, e nos coletores (VC1 e VC2). Anote na tabela VI os valore calculados e simulados do ganho. Observe que os transistores são diferentes e o circuito apresenta realimentação. Use os valores medidos de IE1 e IE2 em 4.6  para  calcular  o ganho em cada coletor.  (para calcular usar a equação).

( a )

( b )

Figura 12: Amplificador diferencial com realimentação - medida do ganho - transistores diferentes ( a ) Multisim ( b ) microCap  

Tabela VI: Amplificador diferencial  com realimentação e transistores diferentes - calculo e medida do ganho de tensão  

Valores Calculados (Usar dados de 4.6)

Valores Medidos

IE

re= 25mV/IE 

Ad =RC/2.re      

Ad(Coletor1)

Ad(Coletor2)

 

 

 

 

 

5.4. Conclusões:

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